Vale vai investir US$ 2,6 bilhões no setor portuário do Maranhão
A Vale vai investir em infra-estrutura US$ 7,8 bilhões, até 2015, no setor de logística no Maranhão. Desse total, US$ 2,6 bilhões serão aplicados no setor portuário, com a construção do Píer IV no Terminal Portuário Ponta da Madeira (TPPM), pelo qual a mineradora escoa a maior parte de sua produção de minério de ferro, bem como na ampliação de toda a estrutura logística adjacente. Outra parte do investimento será destinada à duplicação da Estrada de Ferro Carajás (EFC).A informação foi divulgada pelo jornal Folha de São Paulo, na semana passada. Entretanto, O Estado noticiou em dezembro de 2009 os detalhes do projeto de expansão logística da empresa.
O novo píer consumirá US$ 1 bilhão e vai permitir a atracação dos supernavios de carga da China (400 mil toneladas de porte bruto), superiores ao Berge Stahl (365 mil toneladas de porte bruto). O píer terá 25 metros de profundidade e capacidade de carregamento simultâneo de dois navios. A obra estará pronta em 2014, de acordo com o que publicou o diário paulista.
Ao todo, o terminal portuário receberá investimentos de US$ 2,6 bilhões para aumentar a capacidade de embarque para 230 mil toneladas de minério de ferro até 2015 - em 2009, foram movimentadas 87,3 milhões de toneladas.
Os investimentos integram a parte de logística do projeto da nova mina de Carajás Serra Sul, que inicialmente prevê a extração de 90 mil toneladas de minério de ferro por ano até 2015 - hoje, a capacidade total da companhia está pouco acima de 300 mil toneladas/ano. Ao todo, o empreendimento está orçado em US$ 11,297 bilhões - o maior da história da Vale.
Os investimentos na ferrovia e no porto já prevêem uma expansão futura da nova mina - que fica próxima da atual jazida de Carajás- e antecipam um crescimento da demanda pelo produto no mercado externo.
Pelo projeto, a Vale vai ampliar em 100 quilômetros a ferrovia de Carajás para conectá-la à nova mina. Também vai duplicar 605 quilômetros de trilhos para aumentar a capacidade de transporte de minério de ferro - produto que corresponde a 35% do volume de carga movimentado nos portos brasileiros.
Porto – Ainda a despeito do complexo logístico do TMPM, a Vale anunciou, em dezembro de 2009, investimentos em várias ações, como a construção de 94 quilômetros de linhas férreas na região portuária; a aquisição de quatro viradores de vagão, o que vai elevar para oito o total desses equipamentos no TPPM.
Atualmente, no sistema logístico da Vale há duas empilhadeiras (equipamento utilizado para estocar minério no pátio) e duas recuperadoras (para abastecer o minério do pátio nas correias transportadoras até os navios). Há também quatro equipamentos mistos, isto é, empilhadeiras-recuperadoras. O projeto de expansão inclui a aquisição de mais quatro maqunários do tipo empilhadeiras-recuperadoras.
Automatização – A Vale também concluiu, em abril deste ano, o projeto de modernização das operações de pátio de minério, implantando o Centro de Controle e Operações (CCO), o que representou um aumento de produtividade um 10%.
No CCO, cada operador dispõe de seu próprio terminal de computador. Desta forma, os operadores não precisam se deslocar pela área de estocagem quando é necessário trocar de máquinas, basta acionarem um comando. Atualmente, oito terminais controlam oito máquinas empilhadeiras e recuperadoras. O sistema é o mesmo adotado em grandes portos europeus, como o de Roterdã, na Holanda.
Ferrovia – A expansão logística da Vale contempla ainda a duplicação da Estrada de Ferro Carajás. Com 892 quilômetros de extensão e 56 pátios de cruzamento (desvios auxiliares para controle do fluxo ferroviário), a previsão é construir 605 quilômetros de linha, o suficiente para interligar os pátios de cruzamento, criando uma segunda estrada de ferro. Além disso, a mineradora pretende construir 720 km de linha férrea ligando Açailândia (MA) a Palmas (TO), como parte da Ferrovia Norte Sul (FNS).
Píer IV
- Profundidade mínima: 25 metros;
- Ponte de acesso: 1.620 metros;
- Capacidade para carregar dois navios simultaneamente;
- Incremento na capacidade de embarque: 100 milhões de tonelada/ano;
- Dois conjuntos de carregadores de navios: com capacidade para 16 mil ton/hora, cada;
- Capacidade para receber navios de 150 mil até a 400 mil toneladas para porte bruto;
Fonte: O Estado do MaranhãoPublicada em:: 30/07/2010